domingo, 25 de março de 2012

Culto ao Pinto

Descobrir o sexo do bebê traz à tona um mundo todo novo. O marido virou um pavão e estufou o peito com um orgulho nunca visto quando o médico anunciou: "olha, isso aqui é um pintinho". A primeira coisa que passou pela minha cabeça, contudo, foi se eu saberei lidar com mais um cara arrotando e soltando gases nada perfumados pela casa. Nada poético, eu sei, but that's life. Logo eu, que sou tão cheirosa e limpinha!...e depois lembrei de uma amiga, cujo primeiro insight foi pensar "Oh, eu não estou pronta pra ter nora!"
A partir desse momento, nenhuma ecografia seria mais a mesma: a gente só olha pra "aquilo"! E eu e minha mãe e minhas irmãs pensando se saberemos lidar com aquele pirulito que faz xixi pro teto. Ah, que grande aventura será ter esse menino num mundo que até então era só cor de rosa.
No mês seguinte, o bebê já estava maior e foi possível ver mais detalhes do rosto, as mãozinhas bem feitinhas, as pernas, os pés...e o pinto. Lá. Enoooorme.
Se fosse menina, ninguém ia ficar olhando pro meio das perninhas o tempo todo. Olharíamos pro nariz, pra boquinha, não sei, qualquer outra coisa. Mas o homem é basicamente o pinto! Eu nunca pensei que falaria isso, mas o fato é que exibo a foto do "dito cujo" do meu filho pra todo mundo. Eu disse TODO MUNDO. O pobre já teve a sua privacidade devastada bem antes de nascer. Fazer o que? É mais forte do que eu.
Uma amiga também está esperando um menino, e ao perguntarem a ela o que é, ela sempre responde: "é um gurizão ticudo!". Entende, não é simplesmente um gurizão, ela já avisa que ele tem um "plus a mais"!
É o culto ao pinto desde o princípio. Depois não sabemos porque os homens dão tanta bola pra isso, mas nós mesmas (mulheres) super valorizamos a coisa. É quase como discutir o que veio antes, o ovo ou a galinha: eles se importam com o Pinto porque gostamos tanto da coisa, ou gostamos tanto da coisa porque é algo realmente incrível? Hummmm.
O fato é que tô botando um homão aí no mundo. E não posso deixar de complementar:"um homão bem dotado, diga-se de passagem"!.
E agora não posso sequer falar dos papos de homens que ficam se gabando da suas próprias, digamos, ferramentas. Aposto que é culpa das mães deles, que já os tornaram machões de primeira bem antes de virem ao mundo. Nao nos julguem: é simplesmente impossível nao morrer de orgulho. Anos de terapia pra compreender a fixação feminina, ou eras da humanidade cultuando o simbolo máximo da masculinidade?
Antropólogos e psicólogos, daqui pra frente, comentários com vocês.

domingo, 18 de março de 2012

Tigrona

Que o Marido tem implicância com roupas que sejam assim, digamos, um pouco mais chamativas, todo mundo sabe. Mesmo assim, na minha vibe "periguete gravida" (não sei o que ocorreu, mas desde que embarriguei, baixou em mim uma Teodora-Carolina Dieckman), comprei um macacão de onça. Interinho estampado. Tomara-que-caia. Bem perua mesmo.
Sábado à noite e eu e minha barriga resolvemos arrasar. E lá fui eu usar minha roupa nova na produção.
Pouco dado a esses arroubos vestimentários, o Marido quase teve um chilique. Disse que era a roupa mais hor-ro-rosa que ele já tinha visto na vida. Rindo, assim, achando que eu me convenceria. Nada! To linda, pensei.
E assim foi a noite inteira, ele dizendo que eu parecia saída da Voluntários, eu fazendo garras de felina. Ele falando que eu parecia uma tigra, eu mandando beijos.
Mas por que, né? Não poderia deixar pra usar um dia sozinha? Porque não agradar o maridão?
Capaz! Pode ter certeza que mais que a roupa em si, o que mostrava estava por trás, na intenção. Usar onça da cabeça aos pés me faz feliz às vezes, dona do meu nariz, quando estou me achando linda e louca pra lembrar isso ao mundo inteirinho. E acredite, a gravidez faz dessas coisas: Estou poderosa e nada, nada humilde. Vestir esse macacão "proibido" o lembrou que eu não estou domesticada, que tem esse algo indomável que nunca, jamais vai se curvar às roupinhas basiquinhas que ele pensa que gosta. Pensa. Porque, lá no fundo, acho que ele curte um pouquinho de despudor, dessa extravagância que, às vezes, eu deixo vir à tona (sorte dele que sou advogada - isso sim é uma limitação fashion! E isso que a moda dos terninhos parece estar à espreita para retornar contudo. Medo!).
Gostando ou não, no final da noite e umas cervejas depois, ele pediu pra eu não mudar nunca. Com estampa ou sem estampa, tá valendo pelo desafio. Afinal, quem disse que o amor é só convergência?
Abra suas asas e solte suas feras. Nunca custa lembrar de ser honesto a si mesmo. Ainda mais numa relação a dois.
Grrrrrrrr!
Obs: e já que estamos tratando do tema "mãe também é mulher (alias, principal e fundamentalmente mulher!)", quase pirei com o http://www.Sapatos.net. Vale a pena dar uma conferida. To bem louca por sapatos, mais do que nunca! Afinal, sapatos ainda cabem na minha barriga!

domingo, 4 de março de 2012

Mentiras sinceras me interessam

Revi "O Primeiro Mentiroso", e me lembrei que queria falar sobre esse filme desde a primeira vez que o vi. Foi uma história que me tocou, achei uma sacada fantástica a forma como abordaram um mundo onde ninguém sabia mentir. Ou seja, todo mundo só falava a verdade, naturalmente, e, por consequência, jamais se questionaria o que outra pessoa falasse. É o mundo da verdade absoluta.
A gente pensa em mentira como uma coisa ruim, mas a questão arquivai mais além, é a mentira como escape da realidade, como um devaneio. E o mundo sem fantasia simplesmente é chato, limitado, triste. A crueza pode ser sincera, mas é, definitivamente, pobre.
Sem mentira, nao teríamos historias, sequer a religião e seus dogmas seriam viáveis. Talvez mesmo a fé fosse limitada, porque como poderíamos crer em ago que nao existe no mundo concreto?
Seria um mundo sem piada! Que horror! Fofoca, então, nem pensar. Como falar de coisas que nao existem de fato se você nao pode dar asas à imaginação? E, convenhamos, fofocar é um ato de pura especulação. Sem mais happy hours animados! Afinal, além de nao poder fofocar, muitas verdades viria à tona: "sim, você engordou" e "não, eu realmente não gostei dessa coisa esquisita com quem você esta namorando" seriam os exemplos mais sutis nesse mundo em que é impossível deixar de se falar o que realmente se pensa.
Isso sem falar nos negócios. Nem tenho condições de pressupor o que poderia acontecer com os grandes investidores, que dependem de segredos, especulações e uma teia de informações e desinformações. Sim, eu e minha mania de acreditar em teorias conspiratórias - conspirações, alias, tampouco seriam possíveis, já pensou que mundo mais sem graça? Eu nem teria livros para ler!!!
Sem nenhuma intenção de se fazer apologia à mentira, porque em geral elas são feias, muito feias...mas a vida nua e crua, sem mistérios, sem gentilezas e, mais que tudo, sem fantasia?...
E nao venha me dizer que é legal ser o super sincero. Isso é uma forma mentirosa (veja só que ironia) de se autodenominar o super estúpido. Sem uma dose mínima de escape da realidade, a vida em sociedade se torna bem complicada. E eu, definitivamente, sou um ser social. Pensem bem na próxima vez que quiserem sinceridade sobre o novo corte de cabelo. E só vou querer que você se sinta bela e feliz. O que importa minha humilde e pessoal opinião, se o estrago já esta feito? Ah, cabelo cresce! Mas a auto-estima demora bem mais pra se reerguer.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Gravidinha

Fiquei fora alguns meses, quem me acompanhava mais assiduamente deve ter notado. Muitas coisas aconteceram desde novembro: após um momento de stress forte, saí de ferias para a Europa, desopilei e, na volta, descobri que o lindo milagre da vida se opera dentro da minha barriguinha. Sim, estou esperando um bebê! Muitas novidades, ansiedade e um sono sobrenatural se seguiu. Meu cabelo encrespou (back to teenage times), parei de beber champagne (affffffff!), descobri que é um gurizão, acabei minha dissertação do mestrado. Comecei a decoração do quarto novo, me dei conta de que não sou super mulher, mas estou me sentindo mais poderosa que nunca. Continuo com muito sono, mas agora a ocitocina finalmente começou a liberar no meu corpitcho e o gás voltou com tudo. E então, caros amigos, é por isso que cá estou novamente.
Gostaria de ter podido dividir mais abertamente algumas descobertas e receios desta fase única na vida de uma mulher - de um casal, alias, que se descobre formando uma família. É uma coisa muito louca, a cabeça e o corpo e os hormônios e as emoções entram num turbilhão. É lugar-comum, mas é verdade: só passando por isso pra saber a mágica que é (e o medo que dá).
Mas existe uma coisa chamada privacidade e que ainda é importante para mim (eu não sei se meu filho conhecerá o real significado dessa palavra, nesse mundo facebookiano...), então me resguardei um pouquinho por umas boas semanas (sim, para as mães, o mundo passa a ser contado em semanas), até meu coração dizer que era hora de voltar às palavras escritas nesse nosso cantinho virtual. Isso, e claro, o fato de eu ter acabado meu trabalho do mestrado, sejamos francos.
Tentarei evitar somente assuntos de bebê, pois nem todos os meus leitores estão gravidinhos como eu. Mas este é um blog pessoal, então algumas escorregadas serão inevitáveis, I'M so sorry! Espero, de todo modo, que vocês se divirtam como nessa grande e louca aventura que a vida nos oferece. Bon voyage para todos nós!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Wish list culinário

Amigos, muito legal o o blog de dicas culinárias da querida Carolina Perroni. Deem uma olhada lá - especialmente na Wish List da qual tive a honra de participar: http://temqueprovar.com/

Um Feliz Natal! Muita comidinha gostosa pra vocês!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

De que vale uma Veuve Clicquot sem amor?

Então cá estou eu, numa sexta-feira à noite, (re)vendo o casamento da Kim Kardashian.
Pausa dramática: Se você ainda não sabe quem são os Kardashian – a família mais comentada dos Estados Unidos - joga no Google!
Bem, a Kim Kardashian casou em agosto, num casamento ma-ra-vi-lho-so (quem já casou fica encantada, quem não casou talvez sonhe com isso ainda) que deve ter custado uns bons milhões de dólares. Ela trocou de vestido 03 vezes. O salão foi montado no jardim de uma mansão, em tons de preto e branco e enormes lustres de cristal à meia-luz, após uma cerimônia ao cair da noite.
Mágico? Casamentos dos sonhos? Oh, sim. Eles venderam os direitos de imagem pela bagatela de uns bons milhares de verdinhas. Não duvido que, ao fim, o casamento tenha quase ficado elas x elas. Não é mesmo o que qualquer um poderia querer nessa vida? Festa patrocinada, cheia de gente fina, elegante e... Bem, quanto à continuação, tenho lá minhas dúvidas. Demais, né? Aposto que a champagne também era francesa, de primeira. Luxo!
Pena que durou só 72 dias! Sim, ou você acha que eu to aqui sentando revendo o evento porquê? Tudo agora ganha contornos quase surreais. A gente olha pra aquele povo famoso e bonito e, de repente, se dá conta que eles são tão (ou mais) frágeis do que nós. Porque as dúvidas e dores e decepções deles são expostas. As nossas não. Dá pra sentar num cantinho e chorar sem se preocupar se alguma câmera vai te flagrar nesse momento de fraqueza. Dá pra correr pro colo da mãe. Dá pra sair na rua que nem mendigão e dane-se se alguém não gostar.
Alguns dizem que esse é o preço da fama, que é o ônus de ser uma pessoa pública. Pode ser, mas algo me diz que isso não diminui em nada a dor, quando ela bate. Tampouco os faz serem menos gente. Talvez sejam apenas mais caprichosos. E aí, baby, fica bem mais difícil manter um casamento duradouro.
Porque, convenhamos, não é fácil. Do alto dos meus dois anos “e lá vai quebrados”, já sei que é preciso paciência, tolerância, senso de humor e muito, muito amor.
Se foi por culpa da edição ou não, não sei. Mas não vi nada disso nesse casamento. E se já começou assim, difícil dar certo. Daonde fico pensando: Glamour, quem não quer? Ah, eu adoraria! Mas só se viesse junto no pacote essas coisas preciosas como amor e noção da realidade. Sem isso, a vida não passa de um espetáculo superficial e vazio.
This is so Kardashian. Vai lá conferir. Você vai entender.
Obs: refelexões à parte...Ah, como é boa essa vida fútil de bisbilhotar celebridades!!!

domingo, 27 de novembro de 2011

A IMPORTÂNCIA DE SER BORBOLETA

Meus leitores andam reclamando do meu “sumiço”. Com razão, andei tomando Doril, fiquei meio estressada, depois saí de férias pelo mundo e, no retorno, ocorreu uma grande novidade na minha vida pessoal (que, com certeza, acabará sendo objeto de muitos e muitos posts por aí).
But...I`m back! E retornando de viagem, pulsa em mim uma palavra, incessantemente: Liberdade. Liberdade. Sempre me sinto como uma butterfly ao botar o pé na estrada. Parece que engrandeço espiritualmente. Sério. Sempre volto me sentindo melhor. Maior (às vezes, me sinto maior também porque, bem perdemos o controle alimentar nas férias? Essa parte não é muito libertadora, mas ok, faz parte.)
Pra ser bem sincera, não acredito em liberdade total e absoluta. Em geral, somos dependentes financeiramente de alguém que paga as nossas contas. E quando as assumimos, passamos a um novo estágio de dependência: dependemos do dinheiro para manter (ou alcançar) um determinado status, um padrão de vida. O qual, em regra, não para jamais de ser mais e mais alto.
Ou somos dependentes emocionalmente. Quem não sofreu por amor bota o dedo aqui. Quem não precisa de determinadas “muletas”: A mãe, aquela amiga imprescindível, aquele vício louco por chocolate. Se bem que isso pode ser dependência física (ou química?), e aí, amigos, vocês sabem bem: Vai desde Coca-Cola normal até a carteirinha dos AAA. Eu, por exemplo, preciso de Cebolitos todo o domingo. Sim, é isso mesmo. CEBOLITOS.
Somos seres sociais, ora pois, como negar todas essas dependências, se dependemos de gente ao nosso redor para sermos felizes? E somos seres emocionais também, que reconhecem sentimentos e os (redundância) sentem. Às vezes, muito profundamente.
Mas eu acredito também em liberdade de espírito, a sensação de que jamais nos dobraremos por valores que não são os nossos. Aquela chama acesa que nos faz desbravar o mundo e evoluir como pessoa e se encantar. Aquele lampejo que nos assola, de quando em quando, e nos faz ter a certeza de que a vida é muito mais do que essa “apurrinhaçãozinha” aqui ou aquela dívida ali. E se nesses lapsos, nessas brechas da vida engessada, conseguimos tomar o fôlego necessário pra abrir o peito e deixar esse espírito sair pro mundo e gritar o que quer, o que pensa, o que sente... Nesse momento, meu amigo, somos livres. E vale muito a pena.

domingo, 30 de outubro de 2011

Ah, l'amour...

Ah, nós mulheres!... Uma amiga conta que, numa conversa íntima entre mãe e filha, esta lhe confidencia sua “paixonite” por um colega de aula. Sentimento este que não é compartilhado, porque ele namora outra e não dá bola pra ela. Ao que ela assertivamente diz à sua mãe: “Mas eu não sou mulher de desistir do homem que eu amo!”.
Detalhe: Ela não tem nem 07 ainda!
Chocante? Que nada!
Lindo. Ah, o amor platônico... Ah, o amor romântico...
Sete anos depois, suas amiguinhas lhe dirão “A fila tem que andaaaaaaaar!” e aí contarão com vários dedinhos da mão adornada por esmalte vermelho (chamado “Deixa beijar”) quantos carinhas beijaram no carnaval da SABA (isso existe ainda?) e dançarão até o chão pra se exibir pros gatinhos.
Velha, eu? É, talvez um pouco. Bem longe de ser ressentida pelas coisas que não vivi – porque, felizmente, minha geração pôde aproveitar as maravilhas e a plenitude da independência emocional (que é a mais importante) feminina – mas do alto de quem já passou por essas ilusões adolescentes (e caiu de cara), e com a sabedoria de quem já conheceu o amor verdadeiro... Mulheres, façam o que quiserem, mas não se humilhem, não se façam “pouquinho”. Se dêem o devido valor, porque parece que isso está faltando hoje. Só ouço relato sobre meninas produzidas em série, todas iguais, todas excessivamente preocupadas com o corpo e com as façanhas sexuais, cada vez mais prematuras. Cada vez mais vazias.
Será que estou ficando careta? Hum, talvez. Mas fica a dica: Se for pra se esforçar mesmo, que seja por um amor, não pra descer até o chão e chamar a atenção de qualquer um que passar pelo caminho.
É incrível como somos naturalmente e românticas e dedicadas. E como a vida nos molda e nos muda ao longo dos anos e dos percalços pelo caminho... E é por isso que eu fico com a pureza das respostas das crianças.
Mesmo assim, já aviso essa persistente e apaixonada mini-mulher: Tudo bem lutar por um amor, mas não força a barra, porque isso detona a auto-estima. Talvez hoje isso não faça sentido pra ela, mas depois de um tempo, fará. E parafraseando uma outra amiga minha: “Semeia o amor ao próximo. Não te ama? Próximo?”

domingo, 2 de outubro de 2011

O sentido profundo de um sapatinho

Mulheres tremei!!!
Em outubro, abrirá em Porto Alegre uma loja da franquia da Jelly, que só vende o sapato mais hypado (e cheiroso) do mundo: a melissa. Quem está à frente da abertura da loja aqui em POA são nossos amigos Aline e Alexandre, que nos contaram as boas novas em primeira mão. E eu lá, com minha taça de champagne rose, radiante por dentro, só pensando e fazendo uns planos...
Da última vez que fui ao Rio, me a-pai-xo-nei pelo stilleto pink (coleção da Vivianne Westwood) com o salto láááá nas alturas (atenção que o nome do sapato é skyscraper...). Rodopiei pela loja, encantada com a sensação de ser, por alguns momentos, minha maior musa de todos os tempos (depois da minha mãe, é claro): A Barbie!
Nesse momento, pensei que o grande encanto da melissa é resgatar da mulher aquela lembrança do sapato da boneca: Toda mulher já teve uma Barbie. Duas. Muitas. Toda mulher já colecionou seus mini sapatinhos muito, muito antes de começar a sua própria coleção em tamanho 36. A melissa é lúdica e até o cheiro me parece similar. E aquele pink, então?... Era como se a própria Deusa da Mattel tivesse me mandado ele do céu pra que eu embarcasse depois no meu carro vermelho conversível e passeasse com meu afghan hound e dançasse juntinho com o Ken (baby, naquela época era só isso que minha Barbie e meu Ken faziam) na minha casa cor-de-rosa. E, não, nesse momento eu não estava tomando champagne rosé: Foi tudo uma grande viagem ao passado, àqueles meus momentos felizes de menina.
E enquanto eu rodopiava pela loja com os sapatinhos cor-de-rosa (minha amiga Sara presenciou a cena e, por ser uma amiga muito leal, não contou que testemunhou esse momento para ninguém), a realidade caiu sobre mim num susto: Quantas vezes, ó Deus, eu vou usar esse sapato pink na vida? E aí, num ímpeto de racionalidade, acabei levando um Oxford dourado cheio de glitter (tipo, super básico...) e parti sem olhar pra trás. Com o coração despedaçado.
Se tivesse mais algumas horas no Rio – e seu eu não tivesse gasto uma “banana” pra comer sushi de ovo de codorna no Sushi Leblon, é claro – eu teria retornado pra buscar meu sapatinho. Porque na vida tem coisas que não fazem sentido algum, mas nem por isso deixam de ser – ou talvez por isso mesmo o sejam – mágicas.
Então decidi: Assim que a Jelly abrir ali no Iguatemi, lá estarei eu, pronta pra comprar meu sapatinho pink e sair flanando, glamourosa como a mulher que a Barbie me fez querer ser.
Obs: Não, o Marido não vestirá o blazer branco do Ken. Esqueçam.

domingo, 18 de setembro de 2011

BOTANDO BANCA (ou RASGANDO O MANUAL DA MULHERZINHA PERFEITA)

Para você, mulherrrrr, que sempre leu nas revistas que, para conquistar o seu príncipe encantado, o homem dos seus sonhos, a sua metade da laranja, você nunca, never, jamais deve se entregar na primeira noite. Pra você, mulherrrr, que ainda acredita que o mundo de hoje preserva os mesmos valores da década de 50. Para você, mulherrrr, que acha que a libertação feminina parou lá quando queimaram sutiã na rua...
Uma amiga tem uma nova teoria que é muito interessante e, diz ela, funciona: O negócio é dar de primeira.
HEIN? Como assim?!
Medo. Isso muda absolutamente todos os paradigmas da Capricho (caso você, como eu, tenha acompanhado todas as capas da Ana Paula Arósio no início dos anos 90) e até da Nova (que, segundo uma outra amiga minha, é a revista da Executiva p#&%, a melhor definição que já ouvi até hoje). E mudanças de paradigmas assustam, são como uma chacoalhada geral no seu mundo.
Agora, atenção: Se você lamenta pela perda do romantismo e da conquista que começa quase platônica para ser desdobrar na paixão que extravasa pelo corpo até não agüentar mais (a fuego lento, digamos), pare aqui!
Veja bem, me diz ela, o que os homens querem mesmo? Hein? Hein? A mesma coisa que o lobo mau. Portanto, me narra a pragmática amiga, a melhor forma de você ter certeza de que ele gosta de você, do seu papo, da sua pessoa, da sua companhia espiritual (em contraposição à carnal, se é que você me entende) é dar aquilo que ele quer já de cara (sim, o trocadilho foi proposital). Assim, se depois de desafogar o desejo pelo pedação de carne que você é (e você sempre deve acreditar que é um filé mignon, não se esqueça) ainda assim rolar o 2º encontro, você já sabe 2 coisas: 1) Sim, você é boa de cama e 2) ele gostou de você como pessoa. Daí por diante, é só alegria. E se não prosseguir, well, ao menos você se divertiu à beça ao invés de ficar segurando a onda apenas para fazer tipo.
E não é que faz sentido? Aliás, e não é que faz MUITO sentido? E concluí que ainda tem um bônus extra: Se o cara sumir, você pode se enganar pensando que, não, não é que você seja mala, ele é que não saberia lidar com tamanha segurança feminina.
Minha única dúvida, contudo, é se a mulher já tem condições de bancar de verdade essa atitude, no caso de NÃO dar certo. Sim, porque pra essa minha amiga, a coisa ta funcionando. Mas e se não estivesse?
A mulher só vai se libertar quando seus atos forem para si mesma, e não para o outro, não apenas visando a realização de uma expectativa qualquer. Se você já estiver pronta para viver o momento porque isso TE faz feliz, go ahead que o resto é lucro! Senão, cuidado: O risco de se machucar é grande. Nesse caso, prossiga agarrada no Manual Prático da Mulherzinha. Firme nos seus princípios. E sem culpa. Afinal, você já deveria saber bem: Nessas coisas de amor e de sexo, não há regras.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Vida de coelho branco

Quem me acompanha com um pouco de regularidade deve ter notado minha ausência (ou assim eu espero!). Meu cérebro tá a mil, meu peito aperta, a respiração rareia, e não sei se vou conseguir conciliar todas as coisas. Quer dizer, vou. Sei que vou. Mas até conseguir fazê-lo, fica aquela sensação amarga de que o tempo é curto e de que eu simplesmente não vou chegar lá.
“É tarde, é tarde, é tarde até que arde”, diria o coelho branco ao passar correndo por Alice. Pra mim, ele representa o elo dela com o mundo real: Correndo atrás da máquina, buscando algo que não aparece – talvez porque ele, como nós, não saibamos exatamente o que estamos procurando, e partimos feito loucos atrás de... De quê mesmo?
Me dói quando a angústia paralisa a criatividade. E isso fica claro para mim quando sou acometida por um branco em frente ao computador ou, pior, quando deixo de me dedicar às pessoas que amo. Detesto perder o brilho no olhar. É a alma murcha.
“Affff, que coisa mais démodé!”, você pode pensar. Pra mim é essencial conseguir dar um beijo na minha família, fazer carinho no marido, saber as últimas das amigas. Preferencialmente de todas. E não são poucas. E a lista na pára: Me angustio por não poder falar com meus avós todo-santo-dia (e o tempo, neste caso, é mesmo mais curto). De esquecer aniversários. De deixar de ligar para agradecer um convite. E aí vem ela, a malvada, a pior de todas as criaturas: A culpa. Porque essas não são pequenas coisas. Essas são as mais importantes.
Em que momento incutiram na nossa cabeça que precisamos ser “tudo-isso-ao-mesmo-tempo- agora”? Não, eu estou longe de ser perfeita, de dar atenção que os outros merecem (e merecem mesmo). Falta assimilar e administrar as falhas que, por mais que eu viva 1000 anos e vire uma espécie de Matusalém de saias, não deixarão de existir.
E nessas meu vô me disse uma coisa que me tocou profundamente: Eu mostrava pra ele um Iphone e todas, todas as maravilhas que esse tijolinho virtual pode fazer: Nos manter conectados, nos informar disso e daquilo, fotos, vídeo, jogos, uma loucura, vô! Ao que ele olha pra mim com seu olhar cansado, e com profunda sabedoria pergunta: “Mas pra quê tudo isso”?
Alguém sabe a resposta?





domingo, 7 de agosto de 2011

MEU SAPATO DE CINDERELA

Faz anos que deveria ter escrito algo sobre o assunto, mas somente hoje, lendo o Donna ZH e a tal onda retro, me caiu a ficha: Eu nunca me importei com o fato de que to-do-mun-do (repita comigo: TODOMUNDO) achava isso a coisa mais brega do mundo! E, quer saber? I FEEL GOOD ABOUT IT! Isto é, fico feliz de saber que usava e não só não me importava, como me achava a bolachinha mais recheada do pacote.
Agora o raio da bota branca voltará à moda, mas isso já não me pertence mais. Me desfiz, doei, joguei fora. E, acreditem, não foi por pressão da mídia (affff, esses papparazzi!...): Foi por amoooor!
Aí ta valendo.
Então foi assim: Conheci o Marido num inferninho (ei, era da moda, bem freqüentado, não me interpretem mal!). Primeiro encontro, optei pelo be-a-bá básico das revistas femininas: Jeans sequinho, blusinha na medida, cabelão solto, maquiagem “natural” (aham), blá-blá-blá. Tanta Nova ao longo da vida tinha que me levar a algum lugar. Bingo! E lá vamos nós para o terceiro encontro.
Ora buenas, sou a favor também de sermos autênticas, né? Ou mais cedo ou mais tarde a verdade vem à tona e eu sabia que não conseguiria segurar no pretinho básico por muito tempo. Então, o verdadeiro EU veio à tona: Sainha jeans rasgada, blusa de crochê (ui!) e aquele artigo único e inimitável do meu guarda-roupas...a bota branca! (Nesses momentos eu penso: "Ah, o tempo é uma dádiva!")
Meses depois, descobri que, naquele momento, o Marido pesou as alternativas, ponderou os sentimentos e a razão, suou, chegou a acelerar o carro, fechou os olhos, suspirou e se revirou no assento, mas o coração falou mais alto e lá ficou ele, inconsolável na solidão do carro enquanto me via desfilar em sua direção com aqueles pezinhos que brilhavam no escuro da noite.
E aí ele confessou: “Eu acho botas brancas e unhas vermelhas AS COISAS MAIS FEIAS DO MUNDO!!!! Mas as mais feias MESMO.”
Things we do for love...Abdiquei das botas brancas. E depois fiquei sabendo que foi para a felicidade geral da nação.
E agora vocês me vêm com essa de retorno do retro? E alguém tem que esperar o retorno de algo pra usar o que se gosta?! Boooora mulherada acabar com essa ditadura!
Vão-se as botas, ficam as unhas vermelhas. Destas, não abro mão (trocadilho inevitável, sorry). Mas espero que alguém aí no mundo esteja se sentindo bem linda com meu querido par de botas brancas.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

DIA DO AMIGO


Hoje é dia do amigo e não tinha como ser diferente: Amigo é tudo de bom.
Família? Não há paralelo. Não serve, portanto, de paradigma.
Marido? Amo de paixão. De paixão, veja bem. Necessita de constante cuidado, carinho, “lenha na fogueira”, pimenta, mistério, parceria. Ufa! Precisa de constante amparo.
...Mas amigo? Affff, minhas amigas estão lá sempre e já tiveram que enfrentar minha ausência – e eu a delas – quando trabalhei demais, me apaixonei demais, estudei demais e dediquei tanto tempo a outras coisas que julgava, naquele momento, mais importantes.
Minhas amigas participaram de todos os bons momentos da minha vida, e de vários maus também (maus, maus, muito maus!). Já se conformaram com meus piores defeitos e continuam, sei lá, me amando. Como pode? Por mais chata ou maniática que eu seja às vezes. Deve ser porque também as amo de todo coração, apesar de tudo... (vocês sabem do que falo, meninas!)
O fato é que a gente cresce e as obrigações da vida vão nos demandando atenção e esforço. Mas minha mensagem hoje é para aqueles que não têm – ou não se esforçam para – manter seus amigos mais queridos por perto. Pode ser um só ou vários. Mas um amigo de verdade, daqueles que te fazem inflar o peito de orgulho a cada conquista (sim, ou você quer que o amigo sirva só para te bajular, quando o mais legal é poder bajulá-lo também?) e que você saiba, com Inteligência, manter ao longo da vida, é uma das coisas mais preciosas que se pode ter.
Serei uma velhinha de sombra verde e batom pink, dividindo com minhas queridas amigas uma boa champagne (de uma marca bem cara que eu possa bancar aos 108 anos) e muitas, muitas lembranças das loucuras, parcerias, choradeiras, vitórias e alegrias vividas juntas. That`s what life is made of.

domingo, 10 de julho de 2011

BOCÃO

As revistas já avisavam sobre a retomada da moda do batom vermelho há um bom tempo, mas como ando na onda do “só uso o que me cai bem”, demorei, demorei mesmo a ceder a esta tentação.
Meu flerte com o vermelho veio num rompante: Me arrumando às pressas para um compromisso social, pensei: “Ou eu saio com a boca vermelha hoje, ou não saio mais”. E foi assim que, no susto, fui pro coquetel da Chiquita Bacana.
Chegamos lá – eu e meu bocão – e quase não me reconheci. Pior. Uma amiga ainda me olha e diz “Ali, ainda bem que não sou a única de batom escuro aqui”. Fiquei meio desconfiada, mas peteca cair, que a insegurança acaba com qualquer look.
Valeu a pena. A certeza definitiva veio quando o Marido chegou em casa, me viu e perguntou: “Cabelão e batom vermelho? Que mulher é essa?” Até agora não sei se o choque foi uma reação positiva (= atraente) ou negativa (= que louca cabeluda é essa?). Pouco importa. O negócio é despertar a curiosidade, intrigar mesmo. Quer saber? Gostei do impacto.
Talvez isso seja o mais legal em se aventurar por estes caminhos carmins (alguém aí lembrou do Wando?) seja o fato de que é preciso ter segurança pra carregar o batom vermelho – não tanto pela maquiagem em si, mas pela mensagem subliminar que ele traz em si. Você só o usa quando está bem consigo mesma, se sentindo poderosa mesmo. No final das contas, o vermelhusco é um sinal estampado não na testa, mas nos lábios.

sábado, 2 de julho de 2011

Coisas que acontecem quando o Marido volta pra casa

Marido voltou. Eu, definitivamente, senti falta do meu cobertor de orelha nessa semana gélida que passou.
O mais interessante é que a dinâmica da casa fica comprometida sem ele e muitas pequenas coisas foram diferentes durante a sua ausência. Com a volta do homem da casa...
... O apartamento, repentinamente, fica muito menor
...A cama, sem dúvida, também (bem vinda de volta à minha metade: Menor, mas muito mais quentinha agora)
...A tampa da patente está sempre levantada
...Preciso acordar no escuro e sair me tropeçando pelos cantos até a porta (adeus despertar embaixo do edredon)
...O suco de laranja não dura 24 horas
...Nem o papel higiênico.
...Volto a tomar chá à noite (oba! Porque isso é algo que eu não sei – nem quero saber, porque é a única tarefa doméstica exclusiva do Marido – fazer.
...Não durmo mais sem uma rápida passagem pelo SportTv ou canal de lutinha (esqueça o momento “dormir ouvindo a chuva cair”)
...O telefone não para de tocar (aqui em casa, quem detesta falar no telefone sou eu)
...Morros de roupas pelo meio da casa, sapatos, meias sujas e otras cositas mas constituem obstáculos físicos para se chegar da sala ao quarto
...Minha janta deixa de ser apenas aspargos
...Consigo dormir sem ouvir todos os barulhos do mundo e sem pensar que pode ser um psicopata saído diretamente do Criminal Minds para me atacar
...Eu, sem dúvida, volto a ser manhosa. E mais feliz.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Giggling people

Teoria interessante. Uma amiga que me falou de um experimento conduzido por um grupo de mulheres solteiras no campo de batalha (leia-se "noite"). Era um dia de semana, barzinho na Cidade Baixa, aquela canseira de final de dia, sabe como é... Talvez uma tenha tido um expediente difícil, a outra talvez não tenha recebido a ligação do cara, quem sabe a terceira tenha deixado de ir à academia para beber com as amigas e se sentia culpada. Who knows? O fato é que todas estavam com aquela cara de... bem, você sabe.
Como toda a causa tem conseqüência, cara de mau humor ou de desalento não interessa a ninguém. Resultado da noite: 0 x 0.
Até então. Num insight fantástico, uma delas sugeriu fazer um teste: Fingir que estavam altinhas (talvez por isso estivessem bem sóbrias, o que reforça a minha teoria de que mulher magra é legal, mas de regime é muito chata) que estavam altinhas e rir, rir, rir de dar gargalhada. E assim foi feito. E assim, de repente, todos os homens do bar estavam aos seus pés.
Ok, “toooooooodos” pode ser um exagero, mas com certeza a brincadeira teve algum efeito. Porque ninguém passa ileso pelo bom humor, pelo elemento extremamente atrativo que a alegria. Sem conotação sexual nem nada, mas é isso que o ser humano busca: Felicidade. Não é, não? Não é pra isso que estamos aqui?
Uma coisa leva à outra, não tem jeito. Bom humor é o maior sex appeal que alguém pode ter. E se você disser que preferiria a Scarlet Johannsen mala mesmo assim, pense bem: Quantos anos... Ou melhor, quantos dias... Pensando bem, quantas horas você agüentaria uma gostosa pé-no-saco?
Ah, pois então!
Giggle, my friend. Nada como ser feliz. Faz bem à saúde, faz bem à alma e de quebra, aumenta suas chances de encontrar um amor.
Obs: Giggle? Joga no Google!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

MONSTRINHO DE OLHOS VERDES

Hoje eu preciso falar sobre um tema polêmico. Ele, o monstro dos olhos verdes: A inveja.
Não consigo pensar em outra coisa, estou com um nó na garganta, uma dor de estômago e uma raiva quase incontrolável (quase, porque, afinal, sou uma lady). Tô morrendo de inveja...DO MEU MARIDO!
Hoje ele foi viajar. De avião. Esse detalhe faz toda a diferença porque eu simplesmente a-do-ro andar de avião (inclusive aguardo a hora da comida, depois a hora do filme, depois a hora de tomar boleta e dormir – mal – etc., etc sempre com o intuito de chegar num destino fantástico!). Enfim, não bastasse a saudade natural – o que, juro, acho até legal, por mais que doa o coracãozinho – o que me mata por dentro é uma coisa só: O fato de não ser eu quem está embarcando.
Eu sei, eu sei, a inveja é uma m... O que me consola é que essa é a única coisa que eu realmente invejo. Por mais que seja possível ficar feliz por ver outra pessoa embarcar para uma coisa boa – e é possível – algo lá no fundo do meu ser se corrói. É como aquela aventura da qual você não fará parte. Porque até se der tudo errado, a viagem depois acaba virando lenda. Você nunca poderá rir daquelas situações, ou compartilhar aquelas lembranças. Você simplesmente não viveu aquilo. Seja lá o que for.
Carros, casas, jóias, bolsas... Tudo muito bom, tudo muito bem, mas eu troco tudo por uma oportunidade de conhecer novos lugares, desbravar novos horizontes, cheiros diferentes, cores, histórias, momentos. Eu choro em alguns lugares, porque me vejo do outro lado do globo, onde tanta história já pode ter passado, onde a cultura é tão diferente. Nada, nada é melhor do que pegar as malinhas e se debandar para uma aventura, liberdade total (mesmo que você não esteja sozinho, o que é até melhor, porque é uma liberdade compartilhada). Ah, que maravilha!
Não posso reclamar, já “bati pernas” por aí. Mas pra quem gosta de viajar, de nada adianta tal consolo: A vontade é insaciável. E o buraco no estômago, portanto, é quase insuportável.
Atira aí a primeira pedra quem não tem alguma paixão, alguma coisa que se gosta tanto, tanto, que dói. Não há nenhuma ruindade em se admitir imperfeito. Veja só eu, uma pessoa tão equilibrada... E estou com vontade de morder todo mundo.
Mas não se preocupem: Minha inveja é branca e meu monstrinho tem olhos verdes, mas amorosos. Quero que os outros passeiem muito. Mas posso ir junto?

Obs: Momento soco no estômago = Alessandra Ambrósio sentada no aeroporto. Com licença, vou pro cantinho chorar. Affffffffffffffffffffff!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

MEU PEQUENO PRÊMIO

Ando cada vez mais enfastiada dessa pregação de certo e errado e o que devemos comer para viver até o 100 anos ou quantos passos devemos dar por dia para emagrecer (sabia que existe um passômetro?) e como devemos sorrir mesmo quando nos destratam blá-blá-blá.
Aí adorei a tal polêmica da Catherine Deneuve com seus cigarros na entrevista coletiva e ela lá dizendo, toda diva (e um tanto mau humorada) que não agüenta mais o politicamente correto. Sou contra cigarro, mas... Me too, Catherine!
Não, eu não estou amarga hoje! Mas às vezes você não pensa que a vida passa rápido, rápido demais, enquanto nós insolentes seres humanos, nos privamos ou nos obrigamos a coisas que sequer nos fazem felizes?
Sou advogada. Embora um pouco “alternativa” (ou talvez por isso mesmo), minha máxima jurídica vem lá dos primórdios da faculdade: A minha liberdade vai até onde vai a liberdade do outro (traduzido do juridiquês para o bom português). Então só pra deixar claro: Sou contra invadirmos o espaço do pobre “outro”que dê o azar de cruzar meu caminho. Princípio básico da civilidade.
Por outro lado, está na hora de “afrouxarmos”um pouco nossas rédeas, nos deixar levar mais pelas oportunidades e delícias da vida. E antes que você pense que estou cogitando largar tudo pra viver à base de coco no Hawaii (hummm... que tal?), nada disso! Estou falando de enxergar além da nossa banalidade.
Tá difícil? Vou exemplificar: Saio da minha aula de alemão exausta, numa verdadeira “massaroca” mental (já falei sobre isso, ver abaixo). PÔ, eu trabalho, faço mestrado, cuido de uma casa, faço exercícios físicos, tenho uma vida social agitada e ainda mimo O Marido. Alguém pode me dizer por que raios eu deveria me sentir mal por ingerir um Big Mac in-tei-ri-nho só-pra-mim de almoço, depois da aula? Pra quê me privar de um momento delicioso em que me, myself and my hamburger nos damos tão bem? Por algumas calorias a menos? Vale a pena?
Pois é, superei essa fase e, vou dizer: Esse momento simples da semana é o símbolo de como podemos nos recompensar com pequenas coisas e sermos muito mais felizes.

Loose the tie, baby. Todo mundo merece seu Mc Donald`s.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Olhando pra fora da caixinha

Um assunto sobre o qual eu sempre me pego pensando é sobre os padrões que o mundo nos impõe – e que nós, por consequencia, acatamos.
Esse negócio de ser sexy e belo e desejável o tempo todo... Isso está oprimindo as mulheres de tal forma!... (Os homens eu não sei, peço que se manifestem). Como ser sexy no inverno, por exemplo? Por favoooooor, tudo que eu quero depois de um dia frio e chuvoso, numa noite mais fria e mais chuvosa ainda, é um pijamão, uma taça de vinho, meu sofá e minha coberta apeluciada (aqui em casa é assim: Quem chega antes, fica com a coberta apeluciada no sofá. O cúmulo do anto-sexy, by the way). E eu A-DO-RO essa minha programação. Agora, que raios de noite mais desconfortável se eu tivesse que passar com pijama de renda e cetim! E não me venha com essa de ar-condicionado ou estufa. Certas coisas simplesmente não combinam com o clima de inverno. Nem com conforto em casa. Ou você acha legal ver a novela maquiada, só pro seu homem não perceber que, não, você não nasceu com esse traço preto em cima dos cílios e que as pessoas comumente chamam de delineador. Certas coisas também não combinam com a rotina.
Veja bem, não estou fazendo apologia à esculhembaçao (depois não venham me reclamar se a relação acabar porque deixaram até de escovar os dentes, for God`s sake!)
A questão é: Desde quando há padrões estabelecidos para sermos assim ou assado? Por quê diabos teríamos que agir dessa forma standard para chamarmos a atenção?
Aí me veio o estalo. Eu vi a luz e algo mudou dentro de mim (ok, menos...). Eu acho LINDO homem de calça de abrigo cinza (sim, tem que ser cinza) e moletom com capuz.
WHAT?
Qualquer revista repreenderia veementemente. “Dicas para esquentar a relação/manter o casamento/despertar o desejo adormecido blá-blá-blá: Jamais se deixe ver em trajes confortáveis, pijamas, abrigos, itens largos e quentinhos ou qualquer coisa do gênero”. Tipo, difícil de aplicar na vida real, salvo se você for o Chiquinho Scarpa ou viver nos trópicos. Não é o caso.
Essa minha imagem de "sexy" eu carrego desde os 05 anos (adiantadinha, eu?), quando (acho) me descobri apaixonada pela primeira vez: Caí de amores pelo irmão-mais-velho-do-protagonista-dos-Goonies-que-namorava-a-ruiva-cheerleader. Mas, enfim, essa paixão acabou rápido, tão logo acenderam-se as luzes do cinema... Mas ficou essa imagem, guardadinha num canto da cachola. Não por acaso, adoro ver O Marido circulando pela casa no inverno. (E, sim, só pra esclarecer, meu sonho dourado era ser cheerleader).
Sem graça? Bizarro? Nada! Isso me torna uma pessoa com uma história só minha, com vontades, manias e preferências particulares e, por conseqüência, única. Como cada um de nós é.
Pra quê “estandarizar”? Será que, afinal, a graça vida não é descobri-la, exatamente, nestas pequenas coisas? Nestas diferenças deliciosas que nos fazem especiais, e que fazem nossos olhos brilharem quando identificamos esse algo a mais que encanta só a você e a mais ninguém?
“For me it`s good enough, it`s good enough for me”, já dizia Cindy Lauper, no tema dos Goonies. Uma sábia, essa Cindy.

domingo, 5 de junho de 2011

PANCADARIA MENTAL

Tem pessoas que gostam de exercitar os músculos. Eu prefiro exercitar o cérebro e, por isso, passo inventando atividades que desafiem a massa cinzenta (fãs da Agatha Christie, sempre preferi o Poirot). Meu jogo preferido sempre foi o Master. E, claro, adoro uma novidade. O que me levou à minha última invenção: Estou fazendo aula de alemão. Tipo, porque eu não tenho mais nada pra fazer...
Mas-por-quê-alemão??? Razões familiares e, por isso, é bastante provável que eu consiga persistir com o aprendizado que não é tão bonita como o italiano, nem tão sedutora como o francês, tampouco tão útil como o alemão. E, pior, é uma língua que tem palavras com, sei lá, 15 letras? Cruzes! Mas eu já fiz mandarim (acreditem, é fato) e nada – NADA – pode ser pior que aquilo (árabe, talvez, porque eles ainda escrevem da direita pra esquerda...).
A questão é que aprender uma língua já na idade adulta é um desafio e tanto. E quanto menos pontos de referências você identifica com a sua língua nativa, tanto pior. É gramática, as posições das palavras nas frases (ai, já nem me lembro como se chama isso em português) tudo tem que ser desconstruído e re-compreendido. Não por acaso, dizem que precisamos raciocinar na própria língua que se está aprendendo, mas eu dou uma “roubadinha” e faço associações em português e em inglês ao mesmo tempo.
Uma hora de aula e já estou esgotada. É como se precisasse de força para girar a manivela cerebral, puxando lá do fundo do estômago um resquícios de energia pra conseguir compreender que “panela” é topf , “champagne” é sekt (ah, você acha que eu saberia falar panela, mas não saberia champagne? Alôu?????) e para mandar o Marido voltar para casa é nach Hause. Comandos básicos de sobrevivência.
Quando adulto, compensamos a maior dificuldade em absorver o conhecimento novo (o cérebro já deve estar numa zona de conforto linguística, com certeza) com a dedicação e comprometimento de quem sabe o quanto custa – em termos financeiros e emocionais - pagar por uma aula. Ah, se eu soubesse disso na escola!...
E então lá vou eu fazer tema e repetir as mesmas frases bobocas da lição básica do cd. Antes eu cantava no carro; agora, falo alemão. Louca.
Não por acaso, aprender línguas e fazer palavras cruzadas são medidas preventivas contra os males que atingem a memória.
Dói. Sério, dói tudo: O cérebro e o corpo. Mas é como sair da musculação, depois vem aquela sensação de bem estar, de que você está fazendo algo por si, se tornando uma pessoa mais interessante e complexa. Ok, no caso do alemão, eu não saio da aula me sentindo mais gostosa – como eu me sentiria depois de levantar peso, não dá pra querer tudo ao mesmo tempo agora. Pura pancadaria mental.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Yes people!

Assisti pela 3a vez ao filme “Sim, Senhor”. Ou, em seu título original (sempre melhor, é claro), “Yes man”. É uma comédia com o Jim Carrey, então nem todo mundo extrai algo de útil dali. Conscientemente, ao menos. Eu gosto, contudo, de comédias, porque no fim das contas, els costumam ter uma moral da história (“O primeiro mentiroso é fantástico também e vale um post” próprio, e mesmo “O Mentiroso, também com o Carrey, tem muito a dizer). Leiamos nas entrelinhas. Sempre há mensagens subliminares a se perceber.
O caso é que a mocinha do filme, lá pelas tantas, fala que a vida é um grande parque de diversões. Batido? Muito. Mentira? Nada.
No filme, o personagem se propõe a dizer apenas “sim” para as coisas que a vida lhe oferece. Em síntese, algo tipo “abra seu coração” pro mundo que as oportunidades virão. E elas começam a vir. Até que, obviamente, o personagem se defronta com situações em que ele deveria dizer não.
É uma mensagem de escolhas: Cada um tem seu livre arbítrio e o poder de tomar este ou aquele rumo. E um caminho ou outro sempre levarão a opções que têm que ser feitas, dúvidas que deverão ser questionadas, riscos a ponderar. Sem isso, valeria a pena? Creio que não, pois a conformidade e a resistência a sair de nossa zona de conforto tornam a vida menos colorida.
De fato, dizer sim ao que o universo nos traz (isso está me soando um pouco Paulo Coelho...) nem sempre é fácil. Muitas vezes estamos de mau humor ou cansados ou preocupados com o relatório que temos para apresentar ao final da semana. Talvez simplesmente não queiramos nos expor em passar por ridículos, ou nos achemos superiores o suficiente para conviver com um determinado tipo de coisa. Somos mesmo? Na maioria das vezes, é bem mais simples: Só não estamos a fim e pronto. E fechamos a porta para algo que pode ser muito legal. Surpreendentemente legal.
Ninguém aqui (eu, no caso) está fazendo apologia à inconseqüência. Longe disso. Mas jamais podemos esquecer da criança que temos dentro de nós e que nos torna menos politicamente chatos e mais, muito mais deslumbrados com a roda gigante que é essa vida. Um dia embaixo, o outro, em cima.
Quero morar na Disney. E tomar Pepsi, pode ser?

domingo, 29 de maio de 2011

Salve Melancia!

Minha irmã deixou algumas revistas de fofocas inglesas antes de retornar para Londres. Então cá estou eu, bastante gripada neste domingo gelado, amontoada em papel higiênico (pra assoar o nariz, ora!) e nessas gossip magazines. E o mais interessante é: Lá ou cá, a necessidade de fofocar é a mesma. Incrível.
Mais incrível ainda é pensar no tempo que perdemos (eu, inclusive) com informações totalmente irrelevantes e com a profundidade de um pires. Fatos que não acrescentarão em na-di-nha na minha vida. Pior. Os envolvidos – o objeto da fofoca são, invariavelmente, subcelebridades que muito provavelmente eu acharia toscas de espírito ou de intelecto.
Veja, nada contra viver de balançar o super traseiro em baile funk (no caso das subcelebs brazucas) ou de quebrar a noite nas baladas londrinas (no caso das subcelebs do lado de lá do Atlântico – impressionante como bebem...), mas convenhamos que é intrigante esse encantamento (ou curiosidade?) que nos levam a (1) olhar para a capa da revista, (2) pagar por ela e (3) lê-la de fato! Tudo isso para descobrir, na virada da última página, que nada disso faz parte da sua vida e, que, bem, graças a Deus!
Mesmo assim, eu não largo uma boa e fútil revista de fofoca quando vou ao cabelereiro (o que me poupa dos passos 1 e 2 acima e, portanto, me faz sentir mais esperta ao não gastar meus tostõezinhos para alimentar o mercado). Porque, no fim das contas, nada como “fuçar”um pouquinho a vida dos outros e dar opiniões sem fim sobre o término do relacionamento, o fracasso, as intrigas, o sucesso, o corno, a gafe, blá-blá-blá. Acompanhamos a dor-de-cotovelo e até foto de injeçao de botox a gente acompanha! É uma verdadeira devassa na "grama do vizinho".
Pensando bem, tanto mais saudável é comentar sobre a vida desses seres quase irreais (de tão caricatos) do que das pessoas que nos cercam, não é mesmo? Afinal, na vida real (ou eu ao menos acredito nisso), todos somos mais dignos.
Que bom que encontrei uma razão de ser para a Mulher Melancia. Enquanto elas existirem e pudermos redirecionar essa curiosidade pela vida alheia (it`s part of the human nature, babe), a civilidade está garantida.

domingo, 22 de maio de 2011

O dedo do meio

Uma coisa que me choca de verdade é quem mostra o dedo no trânsito. Na última sexta-feira, um carro se atravessou na frente do meu, eu buzinei (eu estava certa) e a criatura lança aquele bração pra fora da janela (veja só a trabalheira da pessoa) e me mostra o dedo! Sim, aquele do meio, bem comprido. Aquilo me machucou. E me chocou mais ainda quando eu vi que era uma mulher a condutora. Poxa, nós devemos ser mais elegantes e polidas que os homens (não me perguntem o porquê, eu só acho que arroto, suor, palavrão e violência não nos cai bem). Vaca! (Perdoem-me, mas é só o que consigo pensar ao lembrar da cena, e ainda assim me apieda pensar na pobre Mimosa ter sua figura associada àquela senhora – sim, era uma SENHORA).
Esse gesto é uma expressão agressiva e direta contra a outra parte. Depois que passou a raiva, fiquei quase com pena daquela mulher (quase, porque quem tem pena é galinha). A pessoa tem que ser muito infeliz pra xingar gratuitamente alguém que nem conhece e, mais, que estava certo. Puro descontrole emocional. Pura insatisfação exteriorizada a quem atravessasse seu caminho (no caso, literalmente).
Não é como falar palavrões e impropérios dentro do carro, com as janelas fechadas: Esse ato é mais para você mesmo desafogar os estresses do dia, botar pra fora, quase a mesma coisa que xingar a mãe do vizinho quando bate com o dedão na quina da mesa.
Aliás, há um estudo que comprova que falar palavrões – especialmente para aqueles que os falam pouco – é um ótimo apaziguador da dor. Compreendo: É uma válvula de escape. O proibido sempre energiza a alma. Deve ser isso.
Por outro lado, também há estudos que demonstram que um beijo carinhoso realmente ajuda a passar a dor. Então aquela coisa de dizer “dá um beijinho que passa” tem mesmo base científica!
O que me leva a crer que o amor é sempre mais forte que a dor.
Da próxima vez que me mostrarem o dedo no trânsito, pode contar: Vou mandar um beijinho, que é pra ver se cura.

domingo, 15 de maio de 2011

Minha Vogue. Só minha.

Uma das primeiras providências que tomei ao me mudar foi assinar a Vogue. Não foi a primeira, porque meu grande sonho era chegar do trabalho, tomar um banho quente, botar um pijama confortável (nada de babydoll sexy cheio de rendas, não é esse o momento) e abrir uma garrafa de vinho pra acompanhar a novela. Mas ter a Vogue chegando quentinha em casa, só pra mim, é um desses pequenos momentos de luxo que me permiti.
Explico. É meu momento “rica” do mês. Me sinto quase uma Jet setter internacional e corro o risco de vestir um daqueles maiôs conceito e ficar estirada no meu sofá, bebericando uma champagne rose só pensando que estou num clima meio iate na Côte D’azur, percebe? Como se fosse transportada, ainda que momentaneamente, a uma realidade surreal para nós, reles mortais.
Ah, mas a ilusão, invariavelmente, dura pouco. Depois de praticamente me abraçar na revista e quase entrar pra dentro dela – como se algum milagre pudesse me transportar praquela profusão de roupas e jóias e artes - caio em mim e começa a fase 2 da leitura: O sofrimento. Se você me ouvir suspirando sem fim, já sabe: A revista do mês chegou e estou num misto de alegria e lamento, pensando em todas as coisas que quero comprar! Sim, homens que porventura me lêem nesse momento, acreditem: O coração (ou é o estômago?) da mulher aperta, revira e quase dói com a sensação da possibilidade (ainda que remota, remotíssima) da compra. É um desejo físico essa coisa de querer se encher de penduricalhos que, ao fim e ao cabo, talvez pouco signifiquem. Mas como resistir a esse monte de badulaques incríveis? Ah, meus caros, não por acaso a moda é voltada preponderantemente para nós, meninas: Há uma coisa de princesa que hiberna em cada uma de nós (não por acaso, estávamos todas grudadas na TV no último 29 de abril) e que corre o risco de vir à tona a qualquer momento, num ímpeto selvagem como o do urso faminto acordado após o inverno. E, invariavelmente, esse tal ímpeto selvagem pode arrasar com nosso cartão de crédito. Perdemos o salário suado do mês, mas não perdemos a classe. Afffff!
Tudo bem. Como qualquer menina que vibra com os contos de fada e com os castelos de cristal, ler a Vogue é meu momento fantasia do período. Passa, mas preenche meu imaginário e me dá gás pra prosseguir perseguindo as coisas belas da vida até a próxima edição...

Obs: O Blog da Ali recomenda veementemente que você não torre seu dinheirinho. Guarde e compre depois. (Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço...)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

GAROTA BOMBRIL? DEUS ME LIVRE!

Não sei se gostei dessa propaganda da Bombril que mostra mulheres de terno (tem uma até com uniforme policial), sob a denominação de “mulheresevoluídas”. Não, definitivamente não gostei. Ela é ultrapassada e forçada e vai na contramão de tudo que as mulheres têm pretendido demonstrar nos últimos anos.
É bem verdade que já é hora de os homens assumirem as tarefas domésticas (ao menos algumas). Mas também é verdade que isso deve ocorrer naturalmente, porque as relações são muito mais de parceria que de imposição. Porque o homem já reconhece o lugar da mulher no mundo profissional e sabe que, assim como ela ajuda com as contas da casa, ele dá uma mão para desafogar sua companheira.
Ao contrário da necessidade surgida nos anos 80 – quando as mulheres precisaram se “travestir” de homenzinhos para conseguir respeito no ambiente de trabalho (lembrem-se das ombreiras e dos cortes de cabelos masculinos), temos lutado para mostrar que podemos ser bonitas, usar cabelos longos e soltos (quem sabe até usar um rosa Pink no escritório) e, femininas, atingimos toda a competência com as habilidades que nos são próprias. Relações interpessoais, sensibilidade e jogo de cintura são qualidades que nunca estiveram tão em alta no mercado. Pra quê tentar ser masculina, quando temos nossas próprias qualidades? Aliás, não bastassem as roupas de homens, pra quê aquela atitude agressiva? Olha, se eu fosse o marido, chegasse em casa e minha mulher ousasse falar daquele jeito comigo, até pegava o Bombril, mas entregava a vassoura pra ver se ela saía voando!...
Ninguém mais quer assim. Ninguém quer uma relação em que o único lugar onde a mulher julga que tem algum poder é dentro de casa. A mulher quer ser poderosa no mundo, não só na dona do tanque. Pensando bem, a propaganda é caricata e me irrita bastante mesmo. Especialmente o cabelo de palha da Marisa Orth (pô, por que não deram uma aparadinha?). Sacanagem.

domingo, 24 de abril de 2011

BROKEN HEARTED

Uma leitora do blog me enviou um email que tocou meu coração. Acabara com o namorado e pedia conselhos. Evidentemente, omito o nome da moça para preservá-la, mas nem precisa: Todas nós nos identificaríamos com a narrativa dela e, em algum momento, deixaríamos de ver a história pelos olhos de alguém de fora até a coisa se misturar de tal forma que nos veríamos ali, como protagonistas fôssemos.
A história é simples: Você é bem jovem, você está apaixonada, você acha – acha, não, tem certeza – que esse é o amor da sua vida e que vai durar pra sempre. Tudo é lindo, até que um dia a paixão passa (porque a paixão, da forma como a idealizamos, sempre passa), a coisa arrefece, ele dá sinais e você não nota (ou finge que não vê) e um dia... “Precisamos conversar”. Afffffffffffffffffffffff!... Frio no estômago, coração apertado, você vai ao encontro dele como um boi se dirige ao matadouro (com a diferença de que o boi não sabe o que lhe espera). E, simples assim, ele diz que está confuso. Aí ele entra com o pé e você, minha amiga, com a bunda. Ou vice-versa, é claro.
Há variantes, mas trama fundamental, em geral, é a mesma. Que dizer a este coração ferido?
Os conselhos não mudam muito, acho eu. Afinal, já os ouvi muitas vezes, já os repassei adiante também: “O tempo é o melhor remédio”, “o que for pra ser, será”, “ninguém morre de amor” e a velha máxima do resgate da auto-estima estilhaçada “Você tem que se amar acima de tudo, você tem que se valorizar”. Mentira? Palavras ditas em vão? Não, tudo verdade. Por isso talvez tenham se tornado o clássico do discurso pós-rompimento, praticamente o pretinho básico dos conselhos amorosos.
Fora isso... Agüenta “no tranco” por pelo menos 2 semanas. Sim, essa primeira quinzena é o inferno. Você olha pro sol brilhando lá fora e pensa “whyyyyyyyyy?”. Você emagrece porque a comida não apetece (pausa para refletir: tudo tem um lado bom, viu?). Você chora copiosamente, mas o estoque de lágrimas já acabou. E antes que você pense “que bobagem, como posso fazer esse papelão?”... Não minimize a sua dor. Você sofreu uma perda, é praticamente uma morte em vida. Então se deixe viver o luto, mas tente não usar preto. Vista Pink, amarelo e vermelho. Tudo junto, se necessário. Corre pras amigas, pro colo da mãe. Corra pro shopping também – mas só se conseguires controlar os impulsos e o cartão de crédito. Enfia a cabeça nos estudos, no trabalho, na malhação: Isso tudo de fará parar de pensar no assunto e, de brinde, você fica mais inteligente e gostosa. Sim, querida, porque tudo passa, tudo sempre passará (outro clássico) e um dia, não muito depois, essa nova mulher, muito mais forte e segura de si, essa mulher que soube olhar pra dentro do seu coração e tirar de lá a força pra superar, essa mulher vai dar entrar em outra. Pode até ser outra roubada (de novo) ou pode ser O Cara. Ninguém sabe até que aconteça, mas antes disso, há muitos percalços pelo caminho. E nunca, nunca esqueça: Você não está sozinha, todos nós já passamos por isso e sobrevivemos e, com certeza, nos tornamos pessoas mais interessantes e complexas depois disso. Só não esmoreça. Acredite no amor, porque sempre vale a pena continuar tentando.

terça-feira, 19 de abril de 2011

BOROGODÓ

Grupos de mulheres trocam muitas idéias. Muitas. Até demais. E muitas vezes não conseguem ouvir umas às outras. Mas isso não é importa, é um problema menor: O que importa é dar opinião e criar confusão. E fazer barulho, é claro (até hoje não entendo como não criaram um sistema de senha com sirenes em rosa Pink para falar em grupos femininos).
Então, em meio a rondelles de muzzarella de búfala e vinho tinto, e enquanto, ao fundo, rolava a novela (sim, o onipresente programa da família brasileira), a discussão acirrada era quem tem ou não tem “borogodó”.
Esse termo não é tão usual aqui no Sul, pelo visto, quanto mais pra cima. Quem levantou a lebre foi uma das amigas “exportadas” pro Rio de Janeiro. E o engraçado é que, lendo a Veja dessa semana, descobri que a Cleópatra tinha borogodó... Mas isso é assunto para um post todo próprio.
Ter “borogodó” é ter aquele algo único, indefinível, que te diferencia como pessoa e – mais – te torna interessante frente ao resto do mundo. Simples? Aha, olha ao redor e veja quantas pessoas NÃO tem o tal borogodó.
Esqueça o olhar apaixonado. Quem ama sempre vê um borogodó em algum lugar, e a teoria se perde (afinal, se todo pé torto tem seu chinelo velho...). Uma celebridade é o exemplo mais óbvio, pois seu magnetismo pessoal é inquestionável (Angelina Jolie? Ok, 167 filhos depois, o tempo dela já passou, mas todo mundo continua achando a bocuda, no mínimo, intrigante). A unanimidade da mesa foi o Cauã (ei! Outro bocudo?). Ele, definitivamente, tem borogodó. Você pode não preferir, “cosital” (só o maridão tem borogodó, blá blá blá). Cada um tem seu gosto, mas o borogodó é algo incontestável e que transcende a pura atração sexual. Você pode até não gostar, mas sabe que a criatura tem.
Os mais velhos diriam que ter “borogodó” é ter o “it”(joga no Google); os mais novos diriam que o cara tem “a pegada” (embora aí já tenha uma conotação muito mais sexual do que a idéia propriamente pretende). Na prática, é nada mais, nada menos, que um “atrativo pessoal irresistível”.
Irresistível como??? “Tem curso de pós-graduação pra isso?”, talvez perguntassem alguns por aí. Não, não tem, mas uma boa análise, um olhar pra dentro de si mesmo e a segurança de mostrar ao mundo o que você tem de melhor provavelmente resolveriam o problema e te dariam muito, muito borogodó.
Independentemente do conceito preciso, obviamente, num surto coletivo de falta de modéstia, concluímos que todas nós temos borogodó.
...Tá bem, aí já podia ser efeito do vinho.
E pra você? Quem tem borogodó?

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Movendo montanhas

Depois do trabalho, após passar no supermercado, deixar o edredom na lavanderia, fazer as mãos (já pensando que a louça vai direto pra máquina pra não estragar as unhas), refletindo sobre o trabalho do mestrado e preocupada com o horário a fim de não perder um minuto de exercício (afinal, há que se cuidar...), chego em casa, fecho os olhos e penso: Home sweet home!
Aí abro os olhos e noto que tem algo errado. Alguma coisa não combina com o ambiente.
...Tem um pé de tênis no meio da sala. Começo a andar pela casa... Deparo-me com uma cueca em cima da patente. Jornais pelo chão do banheiro. Sigo em frente. Meias espalhadas pelo closet. Um desodorante vazio em cima da cama. Uma toalha molhada no chão. Embalagens diversas abertas pelo quarto. Copo com resto de Nescau no sofá. Garrafas vazias de água. E havia mais. Muito mais.
Dizus! Como pode tamanha capacidade de distribuir os mais diversos itens pelos mais inusitados cantos de um apartamento? Especialmente considerando que, com 3 passos, você passa da cozinha à sala. Não encontro explicação alguma para tamanha preguiça!
Ora, as mulheres funcionam assim: Tomei um copo de leite no quarto. Levanto para ir ao banheiro, portanto no caminho paro na cozinha e largo o copo. Simples. Antes de sair pro trabalho, deixo a toalha molhada estendida no banheiro, deixo o pote de creme vazio no lixo, ponho as roupas sujas na lavanderia e voilá, estou na porta de casa, sem deixar um rastro pra trás. Estamos sempre pensando na logística de recolhimento e distribuição de utensílios domésticos. Tudo pelo bem estar do povo. Afinal, quem é que gosta de morar num chiqueirão? Bem, pelo visto, alguém aqui em casa gosta.
Então reuni todos os itens num enorme morro de objetos, bem no meio do corredor. Dessa vez não teria como fingir que não viu, fui cuidadosa para não deixar um espacinho só vazio. Aquele monte de coisas ali, impedindo qualquer passagem.
Marido chegou e plá!, perguntou o que era aquilo. Ora, meu bem, sou uma esposa muito querida e resolvi facilitar a tua vida. Para ajudar, juntei todas as tuas bugigangas num mesmo lugar. Basta agora você guardar. Veja só como é fácil: É só levar as garrafas e o desodorante vazio pro lixo (área de serviço), copo sujo pra cozinha, toalha molhada pro banheiro, roupa suja pra lavanderia, dobrar as roupas e botar no armário (as que estão passadas, senão, mimoso, é só botar lá pra passar – do ooooutro lado da casa) e assim por diante. E lá se foi ele, com um beiço enorme, colocando cada-coisinha-em-seu-devido-lugar. Acabou quase suando. Achou que fosse fácil?
Aprendeu a lição. Por um dia. Já esqueceu. Ê, memória curta.
O amor move montanhas, mas não move meia suja.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Fobias do dia a dia

Não sou uma mulherzinha fresca. Pelo contrário, posso me gabar de matar barata (yes!), não tenho medo de altura e a-do-ro andar de avião (fico esperando a comida chegar). Lido bem com salto quebrado (é só manter a postura e fingir que está tudo bem – ninguém vai notar a haste faltando embaixo de seu calcanhar), não me importo se me sujo de molho no almoço ( e isso acontece seguidamente, embora agora eu esteja desenvolvendo novas técnicas preventivas) e, pasmem, não sinto frio. Aliás, sou calorenta e preciso ligar o ar no máximo para dormir à noite (se você é ativista ambiental, por favor, finja que não leu este trecho e siga firme adiante).
Só tenho medo de lagartixa. E sou claustrofóbica. Não me deixe presa e estática (eu jamais ganharia as provas de resistência do BBB), nem tolha meus movimentos. Tenho pavor de sapato apertado, mas até aí... Que mulher já não passou o dia sentada com aquele sapato de bico fino, sem poder movimentar os dedinhos (cruzar os dedinhos do pé, sabe?). Argh!
Pois sob essas perspectivas, essa semana foi muito dura. Horrível! Apareceu uma lagartixa baby no meu quarto. Detalhe: Moro no 8º andar. Alguém me explica como um filhote de lagartixa chega aqui em cima? Carregada por um passarinho? Pode ser. Esses dias um pássaro deu um rasante na sala (me ocorreu agora que isso pode ser alerta de tsunami. Medo). Mas explico meu pânico: As lagartixas bebês são terríveis! Desconfio que elas possuam menos “cola”, por isso despencam a qualquer momento em cima de vocês. E não venha me dizer que elas são bonitinhas! Todas elas acabam branquelas e gordas (ups! Alguma semelhança com seres humanos?).
Mas sou forte e superei...
Dormi na sala. Sério. Mas sobrevivi ao dia seguinte.
E no dia seguinte... Fiquei presa no elevador. Você já ficou preso no elevador? Aqueles segundos em que tudo para, a luz apaga, o ar fica denso e rarefeito. Você aperta o alarme, mas o porteiro não ouve direito. Você grita, grita, mas ligação está cortando. E você se dá conta do pior: “Por quê raios eu não fui no banheiro antes de sair do trabalho”? Aí é o desespero: Você não vai agüentar, vai ser uma vergonha. E junto bate a fome e o arrependimento de não ter dito ao mundo como você ama seu marido, sua família, seus amigos. Arrependimento por não ter passado no super antes pra comprar uma champagne (seria bem mais fácil agüentar). Suor escorrendo pelo rosto, pânico.
Tudo isso levou...Trinta segundos depois – sim, 30 meros, mas infinitos segundo! - e a salvação abre a porta e me tira daquele horror!
Semana difícil, mas a verdade é que já me sinto mais forte, mais vivida, sabe? (Hein?). Só não me prenda num elevador com uma lagartixa. Aí, sinceramente, não sei se resisto.

domingo, 27 de março de 2011

Repelentes de homem

Adorei ler na Vogue de março que uma menina de 22 anos'Leandra Medine, chegou a uma conclusão a que muita gente por aí deveria ter chegado: Muitas, muitas vezes, ser fashion é inversamente proporcional a ser atraente. Isso tudo porque o namoradinho achava que ela se vestia esquisito (pelo visto, a relaçao não vingou...). Aí ela criou o blog "The Man Reppeler". Fantástica, só comprova que, bem, mulher se veste pra mulher. Ela prefere ser fashion, mas pelo menos é uma opção feita racionalmente.
Muitas vezes nos deparamos com um dilema comum: Ser trendy ou ser bonita?
Aqui em casa, já tentei usar calça boyfriend. Péssima aceitação. Marido odiou e eu, pessoalmente, não gosto daqueles fundilhos soltos e a bunda caída (tipo, como se fosse só uma ilusão de ótica desfavorável...).
Ankle boots? Acolhido, mas com restrições. Não sou alta e corro o risco de parecer uma periguete, dependendo da combinação.
Color blocking? Gosto muito, bacana vermelho e amarelo, mas o difícil é explicar para o pessoal do trabalho que não, você não é o The Flash.
Sandália com meia? Fofo, mas já passei dos 30. Alguém me convença de que isso não tem nada a ver, mas me lembra a Darlene.
Clogs? Legal, mas como é o sapato mais desconfortável do mundo, você precisa já ter o tal homem pra te ajudar a atravessar essas ruas de paralelepípedos.
Meia calça colorida e com estampa? Marido quase infartou. Doei.
Saruel? Olha, resisti bravamente porque, vou dizer, é a coisa mais feia do mundo e parece um fraldão gigante!
Combinemos: Bonito, nada disso é. Mas é legal, e aí é que está. Estar na moda diz muito mais com um ser interessante do que estar bonito. Pra isso, contudo, há que se compreender suas nuances, seus significados, seu atual momento. Sem isso, ela pouco diz. Ou seja, se seu homem não compreende o que está ou não na moda, ele dificilmente compreenderá que calça alladin (oi?) te faz ser uma mulher mais bonita, entende? Ele só sabe que a sua bunda fica e-nor-me e ainda pergunta onde deixou a lâmpada. Aquela daonde você saiu de dentro...
O problema é que estar na moda se tornou quase uma obrigaçao, uma atestado ao mundo de que você é antenada e cool.
Em contrapartida, pretinho básico, sapato de salto alto, escova com volume e só (sem penteados mirabolantes e, pior, cheiro de laquê), maquiagem com olho esfumaçado pero no mucho, de preferência sem batom, perfume gostoso, pele macia. No fundo (do poço? Da conta? Da fila da boutique em liquidação?), não importa os esforços de criatividade e os investimentos fashion... Acho que é disso que homem gosta.
Não dá pra se deixar de ser o que é, por óbvio. Mas também não se deve corromper seu próprio gosto apenas pra seguir a boiada.
De qualquer forma, ó, talvez seja melhor deixar para se aventurar nas tendências quando sair pra jantar com as amigas. Só elas, de qualquer forma, vão entender seja lá o que for que você esteja querendo expressar.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Como manter-se jovem

Ahaaaam! Leu o título e já saiu fazendo exercício! Bobinho, sim, assim você garante o corpitcho. Mas e o cérebro? Ou melhor - e mais importante - e A ALMA? Em maiúsculas, porque sem ela, sei lá, algo simplesmente não faz sentido... Não sei bem, mas há alguma coisa aí que justifica tudo. Mas isso é assunto pra outro post.
A questão é: Como manter-se jovem? Musculação? Botox? Vitamina C? Repolho?
Meu filho, a resposta é simples: Sim, a sua pálpebra (e a sua bunda) vai cair; com o tempo, as gatinhas de 18 anos não vai mais olhar pra você ("por que você não olha pra mim?"e, não, você nem usa óculos!!!!) e as "juntas" vão ranger... Aí é tempo...É tempo de pensar que talvez a vida seja muito mais que um monte de cólágeno grudado.
E não é não???
Pois ponha aí um dvd preferido - tipo, a melhor música do último milêeeeeenio! - e relaxa. Relaxa totalmente, deixa rolar, rebola, bebe um vinhozinho e canta (tudo errado, e daí?) como se o vizinho fosse ser despejado amanhã.
...
Sentiu o momento?
Caso não o tenha feito, você não entenderá esse post. Agora... Se botou pra rolar o dvd preferido, tomou um vinho e soltou a franga, me diga... Quantos anos você tem? Ah, e isso importa???
Vai catar coquinho no asfalto, pois tu podes ter 15 ou 67. A alma, meu amigo, está vivo. E é isso, só isso, que faz valer a pena.

domingo, 20 de março de 2011

ABUNDÂNCIA

Então é assim: As mulheres, quando se juntam, falam muito. E falam sobre muita coisa. E, invariavelmente, falam sobre as agruras do tempo e seus efeitos sobre o corpo feminino. Sobre o masculino também, mas o fato é que o mundo parece mais justo com os homens nesse aspecto – embora eles percam cabelo, fair enough then.

Enfim, não há mulher 100% satisfeita. E isso volta e meia impacta no seu relacionamento, especialmente no quesito “não quero expor minha celulite por aí”. Affffff!!!! E aí surge assunto sobre todas as novas práticas preventivas e tratamentos, técnicas de como disfarçar os furinhos desgraçados, meios de ser sexy sem expor a derrière assim, ao mundo. E o sofrimento por ver, a cada ano, mais, digamos, saliências? Elas deveriam ser motivo de orgulho, como as rugas. Cada uma ganha, uma história a mais para contar. Tipo “essa celulite surgiu quando ingeria 3 litros de coca/dia durante os estudos para o vestibular” ou “essas 3 vieram das horas seguidas sentadas acabando o relatório que me fez ser promovida” (não é de se orgulhar?). Quem sabe “essa fofa apareceu durante as férias, quando chutei o balde e resolvi curtir a dolce vita sem me exercitar por um mês!”. Poético!
Mas aí, na hora de tirar a roupa: Para o homem, para o espelho, para o mundo (opa! Estou falando na hora de enfrentar o biquíni na praia, mas cada um sabe de si)... Quanto sofrimento! Ah, nós, mulheres, como nos preocupamos com picuinhas!... Se soubéssemos a realidade...
Uma amiga contou que, numa dessas discussões, calhou de estarem num grupo misto. Ou seja, alguns espécimes masculinos participavam (talvez apenas passivamente) da conversa. Até que um deles explicou, do alto de sua experiência, que não se preocupava com furos ou coisas parecidas na bunda: O que era necessário é ter uma bunda feliz. Oi?
Sim, explicou ele, uma bunda com malícia, com alegria de viver, sabe? Uma bunda segura de si, que sabe o que quer. Malemolência, é disso que a bunda precisa pra sorrir.
E veja só: “mole” é até parte integrante da palavra “malemolência”. Será coincidência? Uma dessas ironias inexplicáveis do mundo?
Mas agora que sabemos a verdade – e, convenhamos, isso não é novidade (estamos "carecas" de saber - ops, carecas são eles - que homens não se importam tanto assim com essas coisas), resta saber se nos conformaremos com a realidade e admitiremos que mais vale uma bunda com celulite, mas feliz, do que uma infeliz bunda lisinha, macia e incólume (inveja pura!). Faz diferença? Temos escolha, afinal de contas?
Sábio, muito sábio esse cara: A bunda tem que ser mesmo um símbolo dessa abundância de felicidade.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Águas de março

Dizem que o ano só começa depois do Carnaval. No Brasil, é claro. Concordo. Os políticos também. O pessoal lá no STF já diria que começa em fevereiro, mas a real é que a ficha só cai depois da folia - tenha você entrado no clima ou não. Volta às aulas, retomada de pendências, ritmo de cidade, trânsito normalizado (pra pior). E nessa onda, caí em mim: "E o blog, hein?". Gente, simplesmente esqueci. ES-QUE-CI!
Isso me parece bom. Minha cabeça está em outras atividades: Trabalho novo, mestrado, compras do supermercado (sempre isso, mas, ó, adoro). Ou seja, sobra pouco tempo para devaneios e inspiração. Sim, porque a inspiraçao exige esforço. É preciso dar espaço para que ela surja. Já ouviram falar do ócio criativo? Joga lá no Google.
E há, claro, a rotina de verão: Aquela mala com itens básicos que vai e volta ao litoral semanalmente, a necessaire pronta, o pé na estrada. Just like a gipsy, diria Shakira. Quase, mas menos crespa.
Quer saber? Também fico feliz quando essa época passa. Já estava cansada de resgatar a saúde das minhas plantinhas no último suspiro de sede, de usar rasteirinha durante o final de semana (durante o dia, of course, porque de noite ninguém me afasta dum salto), de tomar banho frio (quem escapa disso no verão?).
Gosto de coisas cíclicas, que vêm e vão (exceçao: o Marido - se for, nem volta) e que nos permitem sentir a passagem do tempo de forma mais evidente, a dar valor para aquilo que fica para trás, mas também já saudosos do que vem pela frente. Tal qual a sucessão das estações, é bom alterar o ritmo, o hábito, quem sabe até, por vezes, as prioridades.
Boa entrada de ano pra você! Afinal, ele começa agora.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

ESTRANHOS NO NINHO

Numa dessas noites quentes de verão, Marido e eu resolvemos ser radicais: Fomos nos aventurar pela balada do litoral gaúcho. Botei meu melhor vestidinho “periguete”, dei aquela amassada nos cabelos e, uhuuuu!, pronta para a badalação. Marido ficou um pouco assustado, mas não muito, que ele sabe que tenho certa tendência à peruagem. E, de mais a mais, eu expliquei pra ele a necessidade de um uniforme propício para invadir o ambiente noturno. Casadas, eu recomendo uma boa dose de ousadia antes de escolher o traje (tome uns goles de champagne antes, se for o caso, e depois ponha, no mínimo, o seu melhor decote – é isso ou se sentir a vó de todas as quase-peladas que desfilarão pela sua frente durante a noite).
Então batemos a porta de casa e lá fomos nós para a tradicional rotina de uma noite agitada: Passa num aniversário, faz o social, desvia o caminho para um “aquece” e segue firme e forte para a tal noite. Confesso, a essas alturas, eu já estava um pouco cansada, quase pensando na minha cama e no BBB que eu perdi. Mas não pensemos nisso, vamos em frente! A noite é uma criança e nós somos jovens trintões cheios de energia (bocejo).
Nessa correria, os desavisados simplesmente não conseguiram comer. Nada, nadinha. Mas tudo bem, no destino final a gente pede uns acepipes (crianças, favor checar dicionário). Quanta ingenuidade!...Nesses locais da noite praiana não tem filé a xadrez e nem, pasme!, batata frita!
Ok, nós somos guerreiros da madrugada, podemos sobreviver algumas horas com sono e fome. Mas, ó, com povão não dá. Sou meio claustrofóbica, aquele mar de gente suada e semi-nua me deixa meio angustiada. Rumamos para o camarote e agora é só entrar na onda e pedir algo pra beber. Vinho tinto? Não, não temos, é óbvio. E também não combinaria com meu estilo periguete-casada. Vou pedir uma vodka, pensei. R$12,00 a dose. “What?”. Bom, vambora. E lá vem um dedo – sim, um dedinho mínimo - de bebida! Não dá nem pro começo, mas o passeio exploratório não pode acabar por aqui. A essas alturas, Marido já encontrou uns amigos pra botar o papo em dia (ele tem essa capacidade incrível de conseguir conversar nos lugares mais improváveis – quem é que consegue bater um papo na balada???) e fiquei liberada pra dançar com as amigas. Ah, as amigas! Que sensação boa! E pulamos e dançamos e nos abraçamos e juramos amor eterno – eu e as amigas, não eu e o Marido. Aqui não é lugar pra essas coisas românticas de casal.
E assim passaram-se horas divertidíssimas e sensualíssimas, porque sempre rola um flerte com o próprio Marido. Muito interessante.
Até que o cansaço chegou aí pelas 5h da manhã. Não tenho bem certeza, mas acho que só nós fomos assolados por ele, porque a festa continuava no mesmo ritmo alucinado. Aí bateu a fome e a vontade enorme de sumir. E fomos parar no xis. Sim, um xis!!!! Há quanto tempo você, amiga, não come um xis fartamente recheado às 5h da manhã? Sim, pecado dos pecados para as mulheres eternamente disciplinadas com a alimentação. Deliciosa sensação de insubordinação com o controle de calorias. Às favas com a dieta: Me passa aí o Xis da casa = bacon, frango, ovo, salada, queijo e tudo mais que você puder imaginar.
Dormimos como adolescentes felizes. Um pouco pela ferveção da noite, um pouco pelo fato de não sermos obrigados a repetir a dose na semana que vem.
E, sim, ainda estou queimando as calorias do xis-tudo até agora...Até acabar esse processo, nada de vestidinho periguete-que-marca-silhueta de novo...